27/11/2004
Encontro com Sócrates

 

Olha a camisa!!! Quem vai querer?

Esse sábado, 27 de novembro, foi especial. Foi um dia longo e cheio de ‘aventura’. Fui até a cidade de Garforth, na Região de Leeds, para assistir/cobrir uma partida de futebol de um time semi-profissional que contaria com Sócrates no elenco. Na verdade, era pra eu ter ido na semana anterior, mas eu tive um contra-tempo de última hora, e acabei não indo.


O Garforth Town joga com as cores do Brasil.

Outra coisa que me interessava na visita era conhecer o dono do clube, um jovem chamado Simon Clifford. Esse cara tem uma história muito interessante. Era um professor primário que fez fortuna com uma franquia de escolas de futebol que promove o ‘estilo brasileiro’ de se jogar futebol. Ele diz que descobriu o segredo brasileiro! E as pessoas acreditam!!! Com o dinheiro das escolas, ele comprou um time (por £ 100 mil) no começo do ano.

Vou tentar seguir uma ordem cronológica...
Saí de casa, de manhã cedo, por volta das 8h30, pois precisava tirar dinheiro e queria chegar na estação de trem por volta das 9h10 (o trem que eu tomaria era às 9h39). Cheguei na hora e comprei uma passagem de ida e volta. O itinerário tinha 3 trocas de trem (Leicester/Sheffield, Sheffield/Doncaster, Doncaster/Selby, Selby/Garforth) e duraria 2h36, portanto, com chegada prevista para às 12h15.

 

Primeiro tempo: no banco de reservas.

Agora, esqueçam tudo o que vcs já ouviram sobre a pontualidade britânica (a não ser que seja para tomar chá)! Qdo cheguei em Sheffield (10 minutos atrasado) o trem para Doncaster já tinha saído. Mas isso não foi um grande problema, pois havia outro logo na sequência. Acontece que esse também demorou e quando cheguei lá, iria demorar muito para sair outro trem para Selby. Eu disse, no setor de informações, para onde eu ia e me aconselharam a pegar o trem para Leeds (que demorou um 20 minutos para sair). Chegando em Leeds me informei sobre o trem que eu deveria pegar. Disseram-me pra pegar o trem pra Selby na plataforma 8D (e que na verdade, eu desceria antes de Selby, em Garforth). Ah, só pra esclarecer, todas as informações que eu peguei foram de pessoas uniformizadas.

 

Segundo tempo: no vestiário, batendo papo e tomando cerveja.

Pois estou eu lá dentro do trem na Plataforma 8D qdo uma voz de dentro do trem diz o itinerário (totalmente diferente do que eu esperava). Saio pra checar novamente na tela de informações e descubro que haviam feito mudanças de última hora. E que o trem que eu queria estaria saindo naquele momento, na plataforma 9D. Vou correndo até lá e vejo o sinal luminoso piscando ‘trem para SELBY’ ao lado do trem na plataforma 9D, com a porta aberta. Assim que eu entrei a porta se fechou e o trem começou a se mover. Ufa!

Acontece que logo ‘a voz’ dentro do trem diz um itinerário diferente do que eu queria. Pergunto pra dois senhores a meu lado para onde o trem iria e eles me disseram: Edinbrough, Escócia!!!!!! Fucking hell. Próxima parada: York.

O pior não é isso. Cinco minutos depois, eles me perguntaram aonde eu queria chegar e eu disse: - Garforth. Qual não foi minha surpresa quando um deles disse: - É aqui!


JF e Simon Clifford

Olho pela janela e lá está a estação.... mas o trem não pararia ali. SHIT. Que raiva!!!! Bem, chegando em York, peguei um trem de volta e finalmente cheguei onde eu queria. Era 14h30, e o jogo marcado para às 15. Sorte que o estádio era perto (10 minutos, a pé).

Lugarzinho muito simpático. No meio de uma zona residencial com casas super-ajeitadinhas está um estádio com arquibancadas para cerca de 400 pessoas sentadas, mas que na semana anterior recebera mais de 3 mil pessoas. Encontrei a assessora de imprensa que me deu uma credencial e fui dar uma rodada; tirar umas fotos, etc.

 

Press conference: trabalhei de tradutor

Antes do jogo, Sócrates apareceu e distribuiu autógrafos. Falei rapidamente com ele e com Simon. Esse me pediu pra ajudar a traduzir uma entrevista do 'doutor'. Depois disso, ele me disse pra ficar a vontade e que eu seria bem vindo para entrar nos vestiários. Conversei rapidamente com a mulher o Sócrates, Adriana, e ela me disse que ele não jogaria... fiqui um pouco frustrado. Mal sabia eu.

Após o primeiro tempo, o qual Sócrates passou o tempo todo no banco de reservas, segui o pessoal e entrei no vestiário. Foi muito legal. Acompanhei a ‘palestra’ dada pelo treinador (Simon) e depois pelo astro do time (Lee Sharpe, ex-lateral da seleção inglesa).

 

Simon e o programa do mestrado.

O pessoal voltou pro campo e o Sócrates ficou no vestiário... fiquei também. Só sei que ficamos uns 40 minutos batendo papo e tomando cerveja, ah ah ah ah! Falamos de uma porção de coisas. De como ele foi parar lá, o que ele tem feito (trabalho e eventos), trabalho em TV (com Kajuru)... eu tenho um amigo na minha sala filho de um famoso jogador argentino (Daniel Bertoni, campeão do Mundo em 78) e ele teve de sair da Fiorentina qdo o Sócrates foi pra lá (devido ao limite de estrangeiros). Ele me contou como ocorreu essa transação. Eu comentei que o primeiro jogo que eu fui ver no estádio foi um Santos e Corinthians, com ele jogando pelo Santos. Ele disse que foi a única vez que jogou contra os fregueses e lembrava quem havia marcado os gols e me lembrou que o César Sampaio estava naquele time. Eu só lembrava dele e de um jogador chamado Mendonça (camisa 10, de bigode). E durante todo o tempo eu ficava de tradutor pra pessoas que iam pedir autógrafos. Tinha até um olheiro do Middlesbrough lá (e não tinha jeito do Sócrates escrever Middlesbrough na camisa, então eu disse: escreve M’boro que tá beleza, eh eh eh!).

Saímos antes de acabar o jogo. Ele foi ver a esposa e tomar mais umas e eu voltei para o campo. Eu não queria estar no vestiário após a partida. Eles perderam: 2 a 0.


Olha quem pegou o trem comigo...

Após o fim do jogo teve uma press conference, muito menos agitada do que na semana anterior (Sócrates havia ficado impressionado pois viera jornalista até do Vietnã), mas com gente de Tv inglesa, norueguesa e francesa (Canal +). Mais uma vez, dei uma ajuda como tradutor.

Depois bati um papo com Simon, falei do mestrado (deixei um material lá) e ele ficou muito interessado em conhecer melhor. Era umas 18h qdo me mandei pra estação.

A volta foi mais tranquila (não peguei nenhum trem errado), mas também demorou mais do que o previsto. De Garforth fui a Leeds; de lá, fui a Sheffield, e de lá para Nottingham, onde peguei o último trem para Leicester às 22h15. Cheguei em 23h30. Foi puxado mas foi muuuuito legal. Valeu a pena.